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Bares e espaços culturais voltam a apostar no jazz

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Campinas já foi berço de muitos instrumentistas de primeira grandeza nos anos 80
Aos poucos, o jazz e a música instrumental voltam a fazer parte da programação cultural de Campinas, cidade que já foi berço de muitos instrumentistas de primeira grandeza nos anos 80. O Iff! Bar, no Hotel Vitória, no Cambuí, e Almanaque Café, em Barão Geraldo, mantêm na agenda ao menos uma dia por semana dedicado ao gênero. Além de bares, o estilo tem espaço na galeria Ateliê Aberto, no Cambuí, que reserva uma segunda-feira no mês para o projeto SeZjaZZ; no restaurante Vila Paraíso, em Joaquim Egídio, onde tem jazz toda sexta-feira; e no Sesc-Campinas, que este mês realiza a série Verão com Jazz.

No final dos anos 80, Campinas teve bons bares de jazz com programação ativa e de alto nível, como era o caso do Neon, Red Lion, Dali, Contramão, Balbina Blum, Maria Fumaz e Ilustrada. Segundo o violinista Ernani Teixeira, integrante do Hot Jazz Club, esses lugares eram nutridos pelos jovens talentos e figuras de renome da Capital em função da abertura do curso de Música Popular na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).
“Os bares se localizavam prioritariamente no bairro nobre do Cambuí, perto do Centro de Convivência, epicentro cultural da cidade na época. Com o passar dos anos, quase todos os bares de jazz fecharam as portas em Campinas e os poucos remanescentes migraram para Barão Geraldo, onde a comunidade artística em torno da universidade e os agitadores culturais permaneciam como guardiões do gênero na cidade”, afirma.

Ernani, que também é o produtor musical do Iff!, inaugurado em dezembro de 2011, acredita que Campinas tem condições e potencial para retomar a efervescência da música instrumental, sobretudo o jazz, daquela época, porém com a introdução de contemporaneidade — o violino, por exemplo, não faz parte da formação original dos grupos de jazz.

“Queremos fugir do tradicional. Jazz é liberdade, atitude. Por isso, nós fazemos todas as terça-feiras o new standard”, diz ele, citando um estilo no qual todo tema musical consagrado pode ser tocado com arranjo de jazz, rock ou MPB. “Ao longo do século 20, foram estabelecidos como standards não apenas as canções mais apreciadas nos clubes de jazz, mas os temas mais repetidos nos palcos da Broadway ou nas telas de Hollywood que ganhavam os ouvidos do público e sua memória afetiva.”

Na próxima terça-feira (15), a casa recebe o paulistano Mo Jonas, radicado há anos em Hamburgo (Alemanha), que está de passagem pelo Brasil. O guitarrista é atualmente contratado da Sony Music e diretor musical da cantora nigeriana Nneka, com quem tem excursionado pela Europa. Se apresenta a partir das 19h acompanhado pelo pianista Albano Sales, pelo contrabaixista Zé Alexandre Carvalho e pelo baterista argentino Juan Megna. A entrada custa R$ 20,00.

Público

Durante a apresentação do Hot Jazz Club na última terça, no Iff!, a quantidade de jovens na plateia chamava a atenção. “Somos de Jundiaí. Procuramos lugares com música boa, por isso estamos sempre em Campinas. Gostamos de sair, mas em lugares onde tenha qualidade sonora. É difícil encontrar um local com jazz, por exemplo”, afirma o estudante Giulianno Zanesco, de 20 anos, que estava junto com a namorada, Beatriz Valli, de 19.

Já na família Monteiro, de Campinas, quem convoca para a noite musical é o caçula Daniel, de 21 anos. “Ele estuda nos Estados Unidos e quando vem para cá fica por dentro do que está rolando e nos leva”, diz o pai, Benito, de 55 anos. “Tenho forte vivência cultural fora daqui, mas ainda me lembro de coisas que eu frequentava quando era menor, como os concertos do Orquestra Sinfônica (Municipal de Campinas), ia ao MIS (Museu da Imagem e do Som de Campinas), ao Centro de Convivência, entre outros”, diz Daniel. Além do pai, o estudante levou ao Iff! a mãe, Norma, de 54 anos, e o irmão André, de 24.

Almanaque Café

No Almanaque Café, a música instrumental sempre fez parte da programação musical do bar. No início, o estilo embalava o happy hour. Assim foi de janeiro de 2011 a junho de 2011. Atendendo a pedidos dos clientes que migraram para a noite, o bar passou a ter música todos os dias e reservou as terças-feiras para a instrumental. “O público de terça é bastante diferente, mais restrito, porém fiel. Com o final de semana, cresce o público e fica mais heterogêneo. De qualquer forma, a gente busca por música de qualidade, seja qual for o estilo”, afirma o proprietário Caco Picolli.

A banda Alma Quatro é fixa às terça-feiras, sendo substituída apenas em períodos de projetos especiais, e mantida como base para convidados em algumas das noites. Na próxima terça, o quarteto, formado por Felipe Silveira (piano), Helder Samara (bateria), Daniel Ribeiro, o “Pezim” (contrabaixo acústico) e Vinicius Corilow (saxofone), executará a música instrumental em suas várias vertentes, sempre sob influências jazzísticas. O show começa às 21h e o couvert artístico é de R$ 12,00.

Ateliê de artes

Há quase dois anos, o Ateliê Aberto promover o SeZjaZZ, dentro do projeto sonZeira, durante uma segunda-feira de cada mês, sem data fixa. A curadoria é de Pepa D’Elia que, com a base do Pepa D’Elia 4teto, traz convidados especiais como David Spencer (saxofone), Rubinho Antunes (trompete), Budi (quitarra), Alex Bittencourt (guitarra), Diego Garbin (trompete), Zé Alexandre Carvalho (contrabaixo acústico), Elder Samara (bateria), Daniel Ribeiro “Pezim” (contrabaixo acústico), Adriano Dias (violão), entre outros.

“Traz um público diferenciado, um pouco mais velho, enfim, específico do jazz e não do ateliê. Além disso, tornou-se um ponto de encontro de músicos, que no final fazem sua canja. Um projeto em crescimento”, diz a proprietária do ateliê Samantha Moreira. Começou em maio de 2011 em parceria com a Paris Lado B Gastronomie do chef francês Romain Brichet e Tatiana Braga, e a temporada deste se inicia no dia 28 de janeiro. A entrada é R$ 15,00.

Sesc-Campinas

O Sesc-Campinas realiza durante o mês de janeiro o programa Verão com Jazz, às quartas-feira. Na próxima edição, João Paulo Amaral e Almir Cortes protagonizam o evento que intitularam de Cordas Brasileiras. Juntos, levam ao palco uma conversa musical livre ao compartilhar suas criações, improvisos, personalidades e experiências sonoras, frutos de suas carreiras individuais como instrumentistas em shows nacionais e internacionais. Além de suas composições, o repertório abrange autores como Ernesto Nazareth, Luiz Gonzaga e Almir Sater. Entrada franca.

Vila Paraíso

No Restaurante Vila Paraíso, a música já fazia parte da programação, mas em 2013 o jazz firmou-se às sextas-feiras, das 20h à meia-noite, com o grupo Jazz Bossa Trio, formado por Marcos Souza (contrabaixo acústico), Felipe Silveira (piano) e Helder Samara (bateria). Não é cobrado couvert. Criado em Campinas, o Jazz Bossa busca inspiração em ícones da música brasileira, como Tom Jobim, Johnny Alf, Vinícius de Moraes, Edu Lobo, João Donato e Roberto Menescal, e expoentes do jazz norte-americano, como Cole Porter, Duke Ellington, Charlie Parker, Miles Davis e John Coltrane.
 Serviço

Locais onde se toca jazz em Campinas

Almanaque Café - Av. Albino J. B. de Oliveira, 1.240, Barão Geraldo, (19) 3249-0014

Ateliê Aberto - Rua Major Solon, 911, Cambuí, (19) 3251-7937

Iff! Bar - Av. José de Souza Campos, 425, Cambuí, (19) 3755-8027

Restaurante Vila Paraíso - Av. Heitor Penteado, 1.716, Joaquim Egídio, (19) 3298-6913

Sesc-Campinas - Rua Dom José I, 270/333, Bonfim, (19) 3737-1500

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